domingo, 27 de dezembro de 2009

Artigo publicado DP, 27 dez. 2009

COPENHAGUE, MAU USO DO DINHEIRO PÚBLICO

Clóvis Cavalcanti

Economista e pesquisador social

Não se podia esperar muita coisa da conferência do clima de Copenhague (a COP-15 da ONU), encerrada dia 18 deste mês. Um encontro de tal magnitude não permite desfechos milagrosos. Discutir questões técnicas e suas implicações políticas envolve toda uma diplomacia. Chegar a acordos depois disso é trabalho árduo, ainda mais quando se tem que exprimir cada item numa multidão de idiomas. Uma palavra mal interpretada exige tempo enorme de negociações e explicações. Já participei de eventos da ONU, inclusive da parte científica da Rio-92 (a convite do CNPq). Não é fácil dialogar em ocasiões assim, apesar do interesse das pessoas e da importância dos assuntos em debate. No caso das grandes conferências internacionais, há participação significativa de burocratas e pessoas que vão ali apenas passear. Como, de fato, explicar que o Brasil tenha tido em Copenhague uma delegação de 700 membros? Não é sem razão que se passou a denominar a capital dinamarquesa de Shoppenhague. Por outro lado, quem pagou a despesa de tanta gente inútil para as discussões sobre o que interessava no caso, um acordo para conter a ameaçadora progressão da mudança climática do planeta? Admitindo a modesta quantia de 15 mil reais para a viagem de cada um desses nossos “representantes”, chega-se ao total de 10,5 milhões de reais de custo para a revoada (o dinheiro foi público). Sobre isso, deve-se adicionar a chamada pegada ecológica (custo ambiental) correspondente, esta última uma das causadoras do efeito estufa que a COP-15 visava conter.

Deve-se registrar que o Brasil foi um protagonista destacado no evento. O presidente Lula da Silva resolveu arregaçar as mangas e mostrar que o país estava disposto a enfrentar a questão do temível aquecimento global. Demorou, porém, a perceber isso. E colocou à frente da delegação brasileira uma inimiga nada sutil do meio ambiente, a ministra Dilma Rousseff, “recém-chegada à questão climática”, com o disse Miriam Leitão aqui no Diario. Segundo Miriam, que assistiu à COP-15, a ministra Dilma “imprimiu à atuação brasileira um amadorismo insensato. Além disso, neutralizou alguns dos nossos mais bem treinados negociadores”. E ainda cometeu ato falho, registrado no noticiário da Rede Globo, afirmando: “O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”. Inacreditável? Não. Essa foi sempre sua postura – inclusive tendo levado adiante iniciativas que a então ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, não aprovava. O presidente Lula sempre comungou da mesma perspectiva, haja vista sua declaração em Mato Grosso, dia 21.11.07, na inauguração de uma usina de biodiesel, quando afirmou de cátedra que o meio ambiente é um “entrave” ao desenvolvimento. Será que ele adota agora uma visão radicalmente distinta, como a do sócio-ambientalismo?

A ida de uma multidão de gente absolutamente supérflua na comitiva brasileira para a COP-15 mostra como estamos distantes de um compromisso sério com o uso prudente, moderado, parcimonioso dos recursos da natureza (e das verbas do Tesouro). Se, pelo menos, esses contemplados com o passeio à Dinamarca se inspirassem nas soluções inteligentes e sustentáveis do modelo dinamarquês de vida, seria pelo menos alguma coisa. Mas não ouvi de ninguém que esteve lá sob as bênçãos do Erário comentários sobre a vida frugal, o transporte público de qualidade, as ciclovias de Copenhague. Ouvi, sim, do presidente do Partido Verde em Pernambuco, Sérgio Xavier (que foi à COP-15). Ele, no Blog de Jamildo de 19 do corrente tratou exatamente disso, sugerindo a implantação de uma grande malha de ciclovias no Recife (integrada com o transporte público). “Copenhague é do tamanho do Recife e é exemplar nisso”. Afinal, palavras sensatas de alguém que tem compromissos ecológicos genuínos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mensagem Natalina

Encontros


A idéia era essa, viver a vida. Compartilhar, desfrutar do nosso paraíso
da Fazenda do Tao.


... foi um dia encantador...
... boa conversa, sonhos, bate-papo descontraído, risos, reciprocidade
fundada em laços fraternos, simples e significativa comunhão...
... comidas... quitudes... bebidas... celebração... encontros...
... mata... chuva (que forte e bela chuva a de ontem!)... belo sítio...
inestimável acolhida... bela casa... ambiente de grande luz!!!
Obrigado, amigos e amigas da CGEA, pelo dia de ontem. Eu o guardarei para sempre em meu coração.
Muito fraternalmente,
Cristiano Ramalho


Confraternização natalina do CGEA (Coordenadoria Geral de Estudos Ambientais) dos pesquisadores da Fundação Joaquim Nabuco na Fazenda do Tao

Saúde

Bom Apetite!

Viva!

Meditação e reunião na mata

Olha a chuva!

Clara e Vera desenhando na mensagem de Natal de Clóvis

Abraço de irmãos

domingo, 13 de dezembro de 2009

Artigo publicado, DP, 13.12.2009

OLINDA MALAS-ARTES EM TODA PARTE

Clóvis Cavalcanti

Economista e pesquisador social

Programa de ótimo nível que torna Olinda mais civilizada – como diz minha amiga Vera Milet, moradora do Alto da Sé – é o “Olinda, Arte em Toda Parte”. Ele acontece nesta época do ano, mostrando o que a cidade tem de atraente (muita coisa) no campo artístico. Andar pelas ruas do sítio histórico torna-se então um prazer renovado. Não neste ano. O programa de 2009 se encerra hoje e, pode-se dizer, foi um fracasso rotundo. Começou com uma cerimônia de abertura sem graça, na qual o prefeito (Renildo Calheiros, que não incorpora a cultura olindense a seu estilo de vida) chegou, fez um discurso burocrático e foi embora – nada parecido com a tradição dos anos de Luciana Santos e animadas festas. A cidade, que está cheia de obras intermináveis, ficou um tumulto de carros ainda maior, impedindo, por exemplo, que a tradicional serenata pelas ruas nas sextas-feiras seguisse sua rotina de praxe. Para tentar organizar o espaço, houve mudanças no trânsito que complicaram a vida de todos. A rua de São Francisco, onde moro e que tem fluxo mínimo de carros, foi convertida em mão única, atrapalhando a vida de inúmeras pessoas. Para eu chegar agora a minha casa é preciso fazer 3km desde a praça do Carmo; antes eram 300 metros! No dia 8 de dezembro, uma pessoa levou 30 minutos procurando percorrer o novo caminho; outra, 15 minutos. Na verdade, é incrível a falta de bom senso com que a mudança foi adotada. Os moradores da são Francisco só têm que subir 400 metros de rua, no máximo, mas isso não lhes é permitido – apesar de a rua estar quase sempre vazia.

Falta de bom senso é hoje um predicado da gestão pública de Olinda. Vejam o que se fez no Memorial Arcoverde, porta de entrada da cidade. Para permitir o espetáculo do Cirque du Soleil, que durou 25 dias, destruíram toda uma área de parque, que foi pavimentada sobre pesados paralelepípedos colados com cimento. O circo foi embora, dizem que pagou uma indenização de 1,4 milhão de reais pela destruição que provocou e o espaço por ele ocupado é hoje, sem nenhum exagero, um deserto. Ultimamente, tem sido usado para estacionamento de ônibus que vão para o Centro de Convenções. Existe prova mais eloqüente de falta de qualquer senso na promoção do bem-estar humano na cidade de Olinda? O prefeito, seus secretários, assessores, etc – tal como o governador do Estado, seus secretários, sua corte de ajudantes –, ninguém, até hoje demonstrou qualquer incômodo com o absurdo do Cirque du Soleil. Pior: várias dessas eminências e boa parte das elites locais ali desfrutaram de um par de horas de animado divertimento. Divertimento cujos benefícios foram todos privados e cujos custos recaem sobre toda a sociedade.

Em plena hora do Arte em Toda Parte, Olinda é presenteada com um presépio descomunal na colina do Carmo no qual se juntam figuras grotescas e fantasmagóricas incompatíveis com o nível da arte que renomados artistas olindenses praticam. Trata-se de um projeto que não passou por discussão pública entre aqueles que estão ligados às tradições da cidade. Simplesmente, montaram um cenário que agride a quinhentista igreja do primeiro convento carmelita das Américas. Presépio é sempre uma coisa delicada. Mesmo nas cidadezinhas e lugarejos do interior, com recursos limitados, as pessoas os fazem com sabor e graça. Olinda realmente não merece o monstrengo que se instalou na entrada do sítio histórico. Para agravar o quadro, uma árvore de natal de plástico “reciclado” de garrafas pet verdes foi armada na praça do Carmo. Outra clara demonstração de falta de senso (talvez justificada apenas pela suposição de que aquilo é ecologicamente correto). Sem dúvida: Olinda malas-artes em toda parte.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Feliz aniversário!


Também fazemos parte da história de Clóvis. Compartilhar as aventuras, as trajetórias e rompantes deste homem não é para qualquer um... Um pouco da sua história fotográfica revela o amor pela família. Parabéns a todos nós.
Feliz aniversário Clóvis com toda a sua prole.
Salve, dia 8 de dezembro de 2009
Dia de Nossa Senhora da Conceição
Dia do nascimento de Clóvis

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Artigo publicado DP, 29.11.2009

OLINDA MALTRATADA

Clóvis Cavalcanti

Economista e pesquisador social

Quem anda pelas ruas do sítio histórico de Olinda, não pode deixar de pensar no agudo senso estético dos que nos legaram lugar tão especial. Não há outra explicação para que Olinda continue charmosa como é em meio a ações maltratam seu patrimônio. A situação tem se agravado nos últimos tempos com obras caóticas, como as que dão ao Alto da Sé um cenário de cidade da Chechênia. Não se sabe o que ficará ali; os serviços de “revitalização” do logradouro deveriam ter terminado em junho, mas se arrastam sem perspectiva de conclusão; a impressão é de que o centro da beleza de Olinda vai se transformar num shopping, Santo Deus! Quem mora na região não suporta mais o suplício da intervenção pública que lá se desenrola. Prova disso são abaixo-assinados que praticamente todos os moradores do local subscrevem pedindo providências corretoras à Prefeitura. Convencionou-se que ali é um espaço para gente jovem se juntar, beber e fazer barulho. Evidentemente, não é assim que se vai tirar proveito dos atrativos que Olinda oferece para o turismo de alta qualidade – como o que se vê em cidades classificadas pela Unesco como “Patrimônio da Humanidade” (Ouro Preto; Gratz, na Áustria; Bruges, na Bélgica; etc.).

Olinda possui a vantagem de abrigar o jardim botânico mais antigo do Brasil, criado em 19.11.1798 (há 211 anos!). E que se apresenta como a maior área arborizada em sítios históricos da América Latina. É o Horto d’El Rey, de 9 hectares, junto do Alto da Sé, reunindo enorme diversidade botânica, com plantas do “mundo que o português criou” aqui aclimadas, como observou Gilberto Freyre em artigo de 1924 para o Diario. Vale notar o comentário de Freyre de que as plantas exóticas introduzidas ali acrescentaram à economia do país “novos encantos de cor, de forma, de perfume, de gosto” – casos da canela, do cravo, da fruta-pão, da manga, “hoje tão pernambucanas quanto brasileiras”. Novos encantos também se acrescentaram, estes no plano da paisagem, com a arquitetura de igrejas, monumentos e casario da Cidade Alta compondo desenho harmonioso. São coisas de excepcional valor como essas que levaram a Unesco a incluir Olinda na sua lista de “World Heritage”. Infelizmente, os poderes públicos não se empenham em elevar o caráter excepcional de Olinda. Ao contrário, fazem intervenções medíocres, vulgares – como a modificação imperdoável do adro do convento franciscano mais antigo do Brasil, vizinho meu de rua. Enquanto isso, o Horto, propriedade privada da família Manguinhos, se conserva exemplarmente.

Assusta, por outro lado, como o partido que administra Olinda desde 2001 e que se denomina “Comunista do Brasil”, tenha abdicado completamente dos princípios socialistas e aderido ao mais crasso capitalismo mercantil. Talvez pensando que, dessa forma, mobilize recursos para a cidade – suposição benigna que faço –, a prefeitura do PCdoB está deixando Olinda entregue à sanha dos que querem ganhar dinheiro fácil ali. Começou com o nauseabundo projeto de um teleférico por cima do Horto d’El Rey e a construção de lojinhas no Alto da Sé, projeto esse a que se opuseram os verdadeiros olindenses, para quem o que se deve fazer é transformar a Sé e o Horto em locais de apreciação do patrimônio cultural e natural da cidade. Os proprietários do Horto não são contra sua desapropriação, mas desde que isso signifique um destino digno para o sítio. Hoje, como toda a cidade, ele é ameaçado pela invasão do crack e pelo desejo de ganhar dinheiro fácil de quem não tem compromissos com a singular Olinda.