domingo, 7 de fevereiro de 2010

Carnaval 2010 no Recife e Olinda


Os índios Clóvis e Vera na rua da Concórdia no Galo da Madrugada

Clóvis e Vera índios se encontra com Fidel em pleno Galo da Madrugada ao lado de Cacá

Os Verdes sacis Clóvis e Vera, Flávia e Sérgio Xavier (presidente do PV - Pernambuco) em Olinda

Terça de carnaval, vamos aos bonecos de Olinda

Rumo a concentração dos Bonecos

Fechamos o nosso carnaval com o "Eu acho é pouco..."

O Saci Clóvis Pererê e suas Sacis Vera e Renatinha Perereca no lambe-lambe da Sé no "Enquanto isso na sala de justiça"

me segura senão eu caiu

Encontro dos amigos em frente a casa - Vera, Luciano e Vera, Clóvis e Verônica

Clóvis e Frida Verônica, sua cunhadinha

Família Sabadell Cavalcanti de Córdoba para o carnaval de Olinda

Projeto de Folião, solitário em frente a casa do Avô

Vamos ao Frevo

Brincadeiras de pai e filho

Será que vem um bloco aí?

Ajusta o sapato do neto para o frevo

Amigos na feijoada de Clóvis, na 2a. de carnaval

Rumos ao "Eu acho é pouquinho" e "A Mulher na Vara"

Neto Tiê

Primeiro carnaval do neto Cauê, de geraçao a geração o frevo no pé

Vamos gente carnavalesca de todas as tribos frevar

Saci ano 3 rumo ao "Enquanto Isso na Sala de Justiça"

Carnaval em Olinda as crianças se divertem e os adultos mais ainda

Vamos ao Galo

O tradicional índio Clóvis indo ao "Galo da Madrugada"

Tintura de Jenipapo, feita pela índia Ana Patrícia (Pena Branca)

André e Renatinha, Vera e Clóvis, de cloves para o "Escuta Levino" no Recife

Clóvis apressadinho saindo para mais um frevo

Clóvis no Bloco da Saudade nas ladeiras de Olinda

Sandra e Clóvis no ensaio bloco "cordas e retalhos" no Recife Antigo

Domingo pré em Olinda, só maluco para aguentar o calor de meio dia. Vale a pena ser maluco

Clóvis a a multiplicação das malucas Ana Maria Brega

As verdadeiras "Clovetes" se encontram na alegria do "Tá Maluco"

"Pisando na Jaca"

Mais um neto, Cauê, na folia, animação total na soneca embalado pelo som do frevo

Quando as tribos se encontram na folia

A tribo da Alegria

O netinho Afonso na folia

Cadê a orquestra?

Frevo no pé, Jamesson e Clóvis esquentando as canela no bloco da Fundação Joaquim Nabuco, "A Turma da Jaqueira, segurando o talo"

Família em folia

Concentração da "Turma da Jaqueira"

Previa no sábado dia 6, "Na casa da Vovó pode tudo", com Valéria, fundadora do bloco. Olinda

Clóvis e Vera, de caboclo sem lança, indo ao baile do bloco da saudade

Espanhola e indiano se encontra no acerto de marcha do Bloco da Saudade

Mais um acerto de marcha

Fantasia penduras no teto e de última hora inventamos nossas fantasias. Rei de Pernambuco e Africana

Artigo publicado DP, 7.2.2010

PARA QUE SERVEM OS OUTDOORS?

Clóvis Cavalcanti

Economista e pesquisador social

Quando prefeito de São Paulo, José Serra tomou uma medida exemplar: remover os outdoors da paisagem paulistana. E não só isso. Tornou proibido fazer letreiros que desrespeitem certas dimensões. Houve gritaria, choro e ranger de dentes das empresas de propaganda. Nada adiantou. Serra manteve a decisão. O resultado é que o visual da cidade melhorou bastante. Na minha primeira ida a São Paulo depois que os cartazes tinham sido removidos, terminei encontrando alguma beleza nessa capital que não possui encantos como o Rio de Janeiro ou Olinda. O prefeito João da Costa adotou algumas providências no mesmo sentido aqui no Recife, mas nada parecido com as dos paulistanos. É incrível como as empresas de publicidade impõem o modelo do que chamam de “mídia exterior”, ocupando o cenário urbano com suas mensagens para a venda de produtos e serviços. O que, aliás, fazem também órgãos públicos para “divulgar” as maravilhas que estão – ou julgam estar – proporcionando aos cidadãos. Próximo a Moreno, na BR-232, por exemplo, há um outdoor de tamanho descomunal, do governo de Pernambuco. Até há pouco, no Alto da Sé, outro painel enorme anunciava (foi retirado) as obras que ali se arrastam.

Nesse particular, é digno de nota que até a gramática seja agredida pelos outdoors. A palavra (pronuncia-se autdórs) é inglesa? Diz o Michaelis (Dicionário Moderno da Língua Portuguesa) que sim: substantivo masculino. Porém, em inglês, outdoor é adjetivo, significando “ao ar livre”. O plural de outdoors não existe em inglês como adjetivo (não há flexão dessa função gramatical no idioma de Shakespeare). Aparece como advérbio: “lá fora”. Existe a forma, de uso raro, do substantivo outdoors, apenas no plural, a qual indica um descampado. Francamente, nenhum desses casos induz a achar inteligente a adoção da palavra outdoor no português do Brasil (em Portugal, não se usa) para significar painel de propaganda. É como também a palavra “mídia”, tão do agrado da publicidade e dos meios de comunicação. Ela veio do latim (“media”, plural de “medium”, ambas com o “e” aberto) com a pronúncia do inglês. Em Portugal, nos meios cultos e nos próprios jornais, ninguém fala mídia, mas o vocábulo latino media (com a construção “os media“, ou seja, os meios). A mesma coisa acontece nos países de língua castelhana. É triste ver uma língua neolatina como a nossa sofrer tamanha desfiguração. Credite-se isso a nosso baixo nível cultural – sem esquecer o papel da publicidade e da imprensa na perpetuação do equívoco. O historiador Frederico Pernambucano, entretanto, sempre emprega a forma “os media”.

No caso dos outdoors, há ainda um fator negativo que lhes é associado. Eles desviam a atenção dos motoristas. Às vezes, são cartazes de interesse das pessoas, com informações sobre compras, por exemplo. Você olha e vê uma multiplicidade de dados. Não consegue assimilar tudo (um telefone, digamos). Sente necessidade de olhar de novo, o que é um perigo. Na Suécia, em 1991, comentei com um amigo que me levava de carro para a Universidade de Gotemburgo, sobre a ausência de painéis de propaganda no caminho que fazíamos. Ele me disse que era proibido por lei afixar qualquer coisa nas vias públicas do país que não fossem de interesse para a orientação dos motoristas. Motivo: evitar acidentes. Vendo o informativo de dezembro de 2009 de uma agência de publicidade de Pernambuco, encontro: “Nos últimos meses, tem crescido a presença dos painéis de estrada na paisagem pernambucana, ao lado das rodovias”. Qual a necessidade disso para o bem-estar humano?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Nada é tudo


Se você não tiver nada a fazer, reflita conosco sobre o nada. Palestra de Clóvis, dia 4 de fevereiro 2010 na Livraria Cultura - Recife

Artigo publicado DP, 24 jan 2010

O INEXORÁVEL FIM DO BUCOLISMO

Clóvis Cavalcanti

Economista e pesquisador social

Na edição de 17.1.2010, o DIARIO publicou interessante matéria intitulada “O Fim do Bucolismo de Casa Forte”. O assunto é oportuno e remete à violenta deformação da paisagem recifense por aquilo que a matéria chama de “avanço do concreto”. Mas vale lembrar que, no domingo, 30 de dezembro de 1923, Gilberto Freyre, então com 23 anos, já escrevia aqui no jornal: “precisa o Recife defender-se contra o perigo de virar tristemente um esqueleto de cimento armado”. Ora, se isso se manifestava há quase nove décadas, que se pode dizer do que acontece hoje? Que Gilberto Freyre tinha toda a razão. Não era tanto a transformação da paisagem daquele momento que o assustava, e sim o que vinha no seu rastro. Isso se percebe em texto de Freyre que saiu no DIARIO em 13.11.1924, no qual é ressaltada “a terrível mania” da modernização, entendida então com “europeizar”, mas já rumando, como Freyre mesmo assinalava, para “americanizar“. Deve-se aos Estados Unidos o crescimento vertical das cidades, fenômeno que atinge níveis absurdos em Dubai (uma economia atualmente trôpega). É assustadora a tendência assumida no caso de Casa Forte, porque essa área recifense conservava um perfil ameno, de boa qualidade de vida, além de não possuir desenho urbano para a expansão que hoje se verifica. Sua paisagem agradava ao visitante, servindo de exemplo do que deveria ser nossa urbanização. De modo triste, porém, no bairro, o que se vê é sua graciosa praça, que tinha a igreja matriz ao centro e era cercada por árvores, tornar-se irreconhecível.

O modelo de desenvolvimento aí consubstanciado não tem que ser uma condenação inevitável. Mesmo nos Estados Unidos, os espigões tendem a se concentrar em espaços limitados, realidade ainda mais visível nas cidades da Europa (onde a densidade demográfica é maior). O quadro recifense se agrava pela absoluta mediocridade da arquitetura que concebe suas modernas formas de habitação. Para todo lado que se olha hoje, o cenário é desolador; acabrunha. As lamentáveis torres dos cais de Santa Rita servem bem de ilustração do fenômeno. Quem pára para admirá-las como obras de inteligência superior? No entanto, a arquitetura purista da Visconde de Suassuna é capaz de atrair, assim como o conjunto do Poço da Panela e alguma casa que ainda resta na Boa Vista, nos Aflitos, no Espinheiro, no pátio de São Pedro. Sem falar em monumentos como o casarão da praça João Alfredo, várias igrejas, o mercado de São José, o mercado de Casa Amarela, a sede da Fundação Gilberto Freyre. Edificações como essas é que atraem os olhos do viajante.

É natural que as pessoas reclamem do que está acontecendo. Apesar de ter o privilégio de residir num dos locais de melhores cercanias, do ponto de vista estético, de Olinda, hoje me incomoda a visão à distância (10 km) das torres do cais de Santa Rita. Elas conspurcam a paisagem olindense, apesar da lonjura, por sua aparência espectral. No caso de Casa Forte, a proximidade da deformação paisagística é motivo óbvio de desagrado. Isso foi constatado na matéria do DIARIO de 17 deste mês. Diz a notícia que uma moradora de edifício de 26 andares do bairro teria ido para Casa Forte “em busca do bucolismo do lugar”. E que, morando num arranha-céu, “espera que a paisagem que se descortina pela sua varanda não seja tomada por edifícios como o seu”, o que a faria perder toda a ventilação. Essa é uma visão que diz bem por que a cidade se deforma. A moradora em questão quer seu prédio de 26 andares e mais nenhum outro. Como impedir que a massa deseje a mesma coisa e se tenha, ao fim, toda uma deformação dolorosa do ambiente? Registra a matéria do DIARIO que a moradora “já chega a gastar 20 minutos de carro para percorrer uma distância de menos de um quilômetro do seu apartamento até o trabalho na Avenida 17 de Agosto”. Carro para andar menos de 1 km? Por que não ir a pé ou de bicicleta? Está explicado o motivo pelo qual a cidade não pode resistir ao “avanço do concreto” e ao fim do bucolismo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Artigo publicado DP, 10 jan. 2010

OBRAS INÚTEIS

Clóvis Cavalcanti

Economista e pesquisador social

No blog Acerto de Contas, que leio de vez em quando, Pierre Lucena, um de seus responsáveis, postou comentário dia 30 de dezembro último sob o título “Os prefeitos do Recife e suas obras inúteis”. A lista dos empreendimentos é encabeçada pelo Parque D. Lindu, do qual a matéria exibe foto aérea que demonstra cabalmente sua inutilidade. Visitei esse (suposto) parque pela primeira vez no dia 20 de dezembro de 2009. Estava em Boa Viagem – coisa rara na minha rotina, devo dizer –, o que me permitiu ir até o D. Lindu (sugestão de minha mulher, Vera). Fiquei espantado com o caráter da iniciativa, implantada em área que era verde e que os moradores da vizinhança próxima desejavam que continuasse assim. A vegetação que resta ali é vaga lembrança da que justificaria parques como o da Jaqueira ou 13 de Maio, no Recife, para não falar da Quinta da Boa Vista, no Rio, do Ibirapuera, em São Paulo, do Farroupilha, em Porto Alegre, do Bosque Rodrigues Alves, em Belém do Pará. O D. Lindu tem uma quantidade absurda de cimento armado, implantada com a grife de Oscar Niemeyer, cuja fama, sem dúvida, não está relacionada a projetos desse naipe. Não sou crítico de urbanismo nem de arquitetura, mas é óbvio que um projeto pode agradar ou não pelo seu desenho à pessoa que o contempla. No caso do parque de Boa Viagem, o conjunto é medíocre – e nisso se inclui o monumento a D. Lindu e filhos (custa a crer que seja uma obra do grande Abelardo da Hora). Pelo vulto dos recursos despejados na polêmica iniciativa do ex-prefeito João Paulo, era para que algo melhor fosse oferecido por ela aos recifenses. E que estivesse concluída – até porque faz mais de um ano de sua inauguração. Do parque pode-se dizer: obra inútil; injustificada como gasto público em um regime democrático.

O bloguista Pierre Lucena reporta-se a outras obras inúteis dos prefeitos do Recife. Menciona Jarbas Vasconcelos, Roberto Magalhães, Gustavo Krause, Joaquim Francisco, Gilberto Marques Paulo. No caso de Krause, a inutilidade do que estava empreendendo por volta de 1980 foi por ele mesmo reconhecida. Lembro-me de conversa que tivemos, na época, viajando com ele de Brasília e ele queixando-se de que só conseguia dinheiro para coisas como “estacionamentos periféricos”, que iriam servir para nada. É porque os tecnocratas tinham decidido que se construíssem áreas para estacionamento a fim de se desafogar o trânsito no centro das grandes cidades. Porém, o modelo vigente privilegiava o carro e não promovia o transporte de massa. Aliás, nesse particular, é notável a incompetência dos prefeitos do Recife em promover o bem da coletividade. Nenhum deles investiu fortemente em transporte público decente. A intervenção da prefeitura sob o petista João Paulo na av. Conde da Boa Vista (de boa-fé, sem dúvida) é um desastre social, ecológico, estético e financeiro. Todos sofrem com ela. Nenhum prefeito se empenhou em favorecer, por outro lado, aqueles habitantes da cidade que usam bicicletas. Se esse benefício é um fato corriqueiro em países ricos (Copenhague constitui ótimo exemplo), aqui ser ciclista é concorrer ao timbre de excluído. Interessante, porém, é como o transporte de bicicleta é eficiente. No dia 23 de novembro último, às 18h45, saí com meus alunos de ciências ambientais da UFPE para uma sessão no Cinema da Fundação J. Nabuco (filme Fordlândia). Fomos do CCB (Centro de Ciências Biológicas), na Cidade Universitária, para o Derby. Todos seguiram de carro, menos o aluno Tiago Jatobá, que só anda de bicicleta. Quando cheguei ao cinema (meu carro foi o primeiro a fazê-lo), ele estava no local e já tinha ido ao banheiro. Não gastou nenhuma energia fóssil, fez exercício e não teve os estresses de motorista (embora os ciclistas possam sofrer mais até). Prefeitos, liguem-se!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Natal e Ano Novo 2010


Os frutos anunciam o continuar da vida

A tempestade, a limpeza

As flores materializam a presença de Deus

A família Cavalcanti recebe o novo ano com calor, chuva, trovões, cachoeira, sapos, sol e alegria na Fazenda do Tao! Viva!

Natal dos Cavalcanti em Olinda